Calerdoses... ?

Abril 23, 2006


Antes do amanhecer



Foi um amanhecer desprovido da fina linha do véu notívago
Quando Eyesion, Luz poética primaveril
Veio com sua urgência triste despertar de seu leito sossegado
Cantar impacientemente sua promessa de novos feixes de luz
Sua voz ecoava docemente através dos galhos e dos vales
Disparando rapidamente sobre os montes
Cantando suas notas angustiantes:

Acelere, acelere, acelere, faça perdurar as horas
Acorde a estrela matinal
Desperte-a de sua flor de contornos orvalhados
Lance-a ao remoto

Arremesse a jovem luz enfraquecida
Rapidamente nas asas da manhã
Adorne os contornos do horizonte
Com sua veste radiante

Levante, personificação do sol, de sua montanha longínqua
Para que seu invólucro alaranjado evidencie
O aquecimento de cada lago e fonte
Ilumine o dia!

Que minh'alma levantou-se desejosa
Movendo-se gentilmente ornada de amanhã
Pronta p´ra buscar o fogo do oriente
Luz trêmula sobre o gramado

E quando raios sobre os campos
Iluminarem os olhos de Viza
seu torso de lírios
Refletirá o céu brilhante
(...)

Ann Batten Cristall
(Tradução Calene Vieira)


*Arrumando antigos papéis encontrei a tradução do que foi encontrar Cristall, uma escritora Londrina nascida em 1769 e pouco conhecida (inclusive pelos historiadores responsáveis por achar seu diário, única prova de seu talento). Ela não escreveu muito, imagino o que devia ser a poesia na realidade feminina daquela época. Mesmo assim, sua poesia ganha destaque entre as poetisas inglesas. Sua sensibilidade e levesa, hoje, conferem a honra que ela merece pelo prazer que se manifesta no decorrer de sua leitura. Percebe-se ali "claramente" a visão poética e principalmente sua fixação pela luz... Cada verso revela o limite da conflagração da visão alcançada pela explosão no limite da chama. Ela dizia "escrevo a espontaneidade e a naturalidade da natureza", frase melhor não definiria tão belamente o natural observado na estória de amor idílica entre Eyesion e Viza...

Por favor desculpe a preguiça... mas parei de traduzir na terceira parte das sete, me cansa tanta dedicação. Traduzi a euforia do encontro, sou assim eufórica!. Deu um trabalho sua poesia arcaica!... hoje pensei em terminar, mas quem sabe outro dia...



Congruência II


Rouca loucamente aberta
porta discreta
silenciosamente eloqüente
solta gritos semi-permanentes
de palavras e corpo
Devolvidos num sopro
de alma sussurrada pela força suave
de beleza indizível
que retorna num brilho o contorno quase
invisível
enfeitado naquilo que não é visto
Porque é roçar de cisco
nos olhos que devem ser mantidos fechados
Para que lábios permaneçam juntamente cerrados