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Não Tenho Uma Certa Religião Prefiro Ter Uma Conduta Certa. Respeito O Livre Arbítrio, Mas Exijo Explicações. Graduada Em Administração De Uma Forma Bem Desorganizada. Ainda Não Descobri O Que Eu Faria Por Dinheiro. Detesto Modismos. Odeio Que Concordem Comigo, Prefiro Imensamente Que tentem compreender. Dou Meu Melhor às Pessoas, Mesmo Sabendo Que Não Receberei À Altura. Admiro A Vida Nas Coisas. Tenho Certeza De Que Cinco Sentidos É Pouco. Publico Muito Meus Planos. Me Sinto Bem No Inusual. Sou Um Dos Extremos; Sou Mais Ou Sou Menos: Nunca Serei Mais Ou Menos Sou Vítima Bandida; Ativa Passiva; Receosa Decidida; Exposta Escondida; Alegre Depressiva; Espinho E Rosa; Verso E Prosa; Grande Pequena; Branca Morena; Nem Uma Nem Outra; Nem Sóbrea Nem Louca... Sou Assim A União Dos Paradoxos, Sou Os Extremos Que Se Tocam, Tenho A Mão Esquerda Para Ser Imutável, E A Direita Em Eterna Insconstância. Tenho Linhas Manuais Que Desordenam Meu Mapa... Me Tornam Canceriana, No Mais Alto Grau De Dificuldade.. Sou tipicamente a legítima e aparentemente atípica... Sim, sofro Desse Câncer E Ainda Morrerei Disso, Pois Contra Minha Própria Vontade Dou Demasiada Atenção A Tudo Que Falam De Mim, Continuo Insistindo Em Sentir Cada Palavra, Às Vezes Gosto Do Que Dizem, Principalmente Quando Inclui Notícia Boa. Porque Da Vida Gosto Mesmo É De Tudo Que É Bom, Inclusive Bom Gosto, Bons Modos, Bom Senso E Principalmente Bom Humor.. Procuro Sorrir Bastante... Sou Do Rio De Janeiro E 26 Vezes Feliz... Sou Alegre Até Quando Estou Triste, Acredito Que Na Vida, O Que Salva Muitas Vezes É O Humor E Não O Amor...
Mistérionunca segredo...
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Janeiro 29, 2006
Joaquim:
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte. |