Calerdoses... ?

Março 1, 2008


Para os notívagos, como eu.




Com a noite as coisas concretas se apagam.
A pouca luz impõe uma ausência necessária.
O telefone não toca.
As ambições parecem dormir.
Tudo o que não pode ser visto transborda
e se enamora das sombras
e do silêncio disponível.

É desses momentos que surge a alma.




*Pintura By Michael Flohr
*Texto By Deborah Motooka
(Hoje não escrevo, porque ontem não tentei
Quantas vezes falei "Déborah não abandone o blog"
Hoje pensando nisso, e nela, o silêncio é certo.
... ... de que a entendo melhor que antes, de ontem)



Manual de Ausência




Vaga o lume de seus olhos amarelos

É tudo culpa da Lua,

Linda
na unicidade de estar completa em si
cheia de si
de um brilho que esfrego nessa página
branca

Vejamos o globo solar
no salão

Dançar a rotação:

Ela
em volta
Eu
envolta



*Pintura By Mahmoud Sabzi



"... quem inventou o relógio foi uma moça de branco
e o relógio amarrotou a sua roupa bonita











Um momento descoberta descobri
que o poder da noite mansa
só descança quando canta sem parar
tic tic tic















ele abriu seus olhos e lhe ensinou a piscar
e todo o jardim se apagava quando ela piscava..."





*Pintura By Zhaoming Wu
*Texto By Leo MInax (tic tic tic...)



Verdes
Tudo verde
Inclusive o vermelho
das maçãs em meu rosto
e o silêncio coral
No coral do meu silêncio





*Pintura By Peter Max




Vai chover em breve
e a dor deixou de ser leve

Trouxe em nossos olhares fechados
uma trouxa de pano ensopado
Não os lavo

Levo
que é de fachada
a janela dessa boca
aberta

Abro
a ferida fechada
ao vento lento

Sopra
Seca
Sela
Nosso pacto da carne em vida

Joguemos tudo do varal
que no chão do quintal
Seremos toldo de tudo




*Pintura By Inessa Garmash


...O princípio do antes




Se os lábios esgotados
Por toda língua percorrida
Encontrarem a definição ideal do desejo
Antes de o real encostar-se ao que vejo

Fica um oco
Um toco
Um troço
Um nome sem traço
Nos significados inventados

Perde-se o gosto
O gesto
O gozo
O nome é gasto
E os sinônimos invertidos




*Pintura By Pino Dangelico


Júbilo Memória Noviciado da Paixão*

É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas das coisas do lá fora.

E sozinha supor que se estivesses dentro essa voz importante e esse vento das ramagens de fora eu jamais ouviria.

Atento meu ouvido escutaria o sumo do teu canto.
Que não venhas, Dionísio.

Porque é melhor sonhar tua rudeza
e sorver reconquista a cada noite pensando: amanhã sim, virá.

E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando aroma e corpo.

E o verso a cada noite se fazendo de tua sábia ausência. (...)






[Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé. De Ariana para Dionísio:
Meu Cd preferido, talvez por ser menos cd e mais obra de arte.]

*Poema de Hilda Hilst
*Primeira faixa dos vários outros poemas de Hilda Musicados por Zeca Baleiro.
*Pintura By Pino Dangelico





Não é apenas por dançar
mas por sentir em cada partícula de meu corpo
as notas de uma música que nunca pára
uma música que surge dentro de mim
cada vez que penso em dança
momento em que meu corpo ganha uma vida exuberante
um brilho que nenhum ser humano tem
Minhas mãos falam várias línguas
meus pés ganham vida como se dançassem sós
meu ventre conduz
e o corpo grita
Lança na dança todas as palavras do meu espírito
como se eu nunca tivesse falado
Isso é viver a dança
e senti-la cada vez mais
Isso é apenas dançar
isso é TUDO!





*Minha adaptação de um longo texto sobre dança...




Pra que pressa se nem sei que horas são.
Pra que horas se nem sei que pressa é essa.


*Pintura By Salvador Dali


Suave é ser véu



Porque

olhares e fulgores

detalhes e amores

não alcançam a névoa

daquilo que nunca foi dito




*Foto By Graça Loureiro


EXIT-EXISTIR





E se a saída for mais que um nome
Algo além da entrada
O começo, a chegada...

O final,
sinal de que tudo é questão de tempo
Inclusive a distância
Na constância do ADEUS...



"E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor "
Moska




Se me jogo feito véu
lanço-me ao céu
como vento sem direção
é porque não sobrou ilusão
de achar quer não sei voar...




O último poema


Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.



*Manuel bandeira


I Cuba:



"Dos Mujeres y un Paisaje" Autor: Victor Manuel

II Savina:


"Ser cigano é ter uma carne, uma alma, paixões, uma pele, instintos e desejos outros; é ver o mundo com olhos, com música no sangue, uma altivez selvagem, a alegria misturada com lágrimas; a tristeza, a vida e o amor desconfiados; é evitar a rotina e a norma que castram; é, graças ao canto, embriagar-se de vinho e de beijos; é transformar a vida em uma arte cheia de capricho e de liberdade; é recusar o jugo da mediocridade; é tudo apostar num único lance; é saborear, se dar, experimentar. É viver. Isso é Tudo."


1/4



o quarto
enquadra

o quadril conta

quantas forem cortejadas
tantas flores esquartejadas

quarenta vezes





*Minha crítica ao mundo das relações descartáveis.
(Na proporção de 1 quarto, em um quarto, um pra quatro)





Escraviza
Meu
olhar

num
piscar

Avisa
que
sua
vista
Me
visita








Antes do amanhecer



Foi um amanhecer desprovido da fina linha do véu notívago
Quando Eyesion, Luz poética primaveril
Veio com sua urgência triste despertar de seu leito sossegado
Cantar impacientemente sua promessa de novos feixes de luz
Sua voz ecoava docemente através dos galhos e dos vales
Disparando rapidamente sobre os montes
Cantando suas notas angustiantes:

Acelere, acelere, acelere, faça perdurar as horas
Acorde a estrela matinal
Desperte-a de sua flor de contornos orvalhados
Lance-a ao remoto

Arremesse a jovem luz enfraquecida
Rapidamente nas asas da manhã
Adorne os contornos do horizonte
Com sua veste radiante

Levante, personificação do sol, de sua montanha longínqua
Para que seu invólucro alaranjado evidencie
O aquecimento de cada lago e fonte
Ilumine o dia!

Que minh'alma levantou-se desejosa
Movendo-se gentilmente ornada de amanhã
Pronta p´ra buscar o fogo do oriente
Luz trêmula sobre o gramado

E quando raios sobre os campos
Iluminarem os olhos de Viza
seu torso de lírios
Refletirá o céu brilhante
(...)

Ann Batten Cristall
(Tradução Calene Vieira)


*Arrumando antigos papéis encontrei a tradução do que foi encontrar Cristall, uma escritora Londrina nascida em 1769 e pouco conhecida (inclusive pelos historiadores responsáveis por achar seu diário, única prova de seu talento). Ela não escreveu muito, imagino o que devia ser a poesia na realidade feminina daquela época. Mesmo assim, sua poesia ganha destaque entre as poetisas inglesas. Sua sensibilidade e levesa, hoje, conferem a honra que ela merece pelo prazer que se manifesta no decorrer de sua leitura. Percebe-se ali "claramente" a visão poética e principalmente sua fixação pela luz... Cada verso revela o limite da conflagração da visão alcançada pela explosão no limite da chama. Ela dizia "escrevo a espontaneidade e a naturalidade da natureza", frase melhor não definiria tão belamente o natural observado na estória de amor idílica entre Eyesion e Viza...

Por favor desculpe a preguiça... mas parei de traduzir na terceira parte das sete, me cansa tanta dedicação. Traduzi a euforia do encontro, sou assim eufórica!. Deu um trabalho sua poesia arcaica!... hoje pensei em terminar, mas quem sabe outro dia...



Congruência II


Rouca loucamente aberta
porta discreta
silenciosamente eloqüente
solta gritos semi-permanentes
de palavras e corpo
Devolvidos num sopro
de alma sussurrada pela força suave
de beleza indizível
que retorna num brilho o contorno quase
invisível
enfeitado naquilo que não é visto
Porque é roçar de cisco
nos olhos que devem ser mantidos fechados
Para que lábios permaneçam juntamente cerrados



"a saudade
é uma colcha velha
que cobriu um dia
numa noite fria
nosso amor em brasa"
Zeca Baleiro



Orientação...


Não
sei
escolher
caminhos
Por
isso
Deixe-me
fingir
que
finjo
enquanto
fujo




Tenho escrito pouco, mas gostei da foto.
Por isso escrevi o que não virou texto porque ando cheia da preguiça que esvazia essa quase visual-poesia...



Congruência


Riso
Liso
Rasga
a linha
de tua boca
um risco
Eu traço



Ela prepara o texto. Folha por folha separa palavra por palavra. Não costuma demorar-se. Sempre se arruma -arrumando o que dizer- quando o assunto é escrever ou quando falta assunto. Prepara a mesa sem muita riqueza. De detalhes esquece. Permanece. Recebe o banquete. Escolhe o talhado talher. Convive e convida. Inflama. Chama a vela dessa ultima ceia. Mostra-se. Revela. Mistura-se. Descansa a necessidade de dizer por todos os momentos calados. Escolhe o discurso. Num pulso, quebra-se sonho e copo. No dedo o corte. Na boca um cisco. Na alma um risco sangrando ao jantar. Por fim, resolve parar. Por um fim envolve todo altar. Preparado religiosamente, programado pela riqueza da mente.. Refaz a comida. Refeita da ferida. Entende-se decidida. Estende-se consumida. Limpa em seu cômodo incômodo. Pensativa. Alma Partida resolve partir. Fugir antes de voltar. Sinaliza, realiza e Finaliza cinco linhas para cada questão. Tranca o portão... e mesmo assim continua observada pela janela aberta que da fresta permite a leitura de tudo quanto come através de seu corpo transparente...





Quando parada me afundo na triste beleza
Quando errada tudo devora a certeza

Sem demora dá vontade de escrever
Vontade que é prazer de quando em quando

Quando ando é quando
Quando chego chega!



Do lado de dentro...



Odeio toda vez que repito o mesmo olhar
E não paro de piscar infinitas vezes
Esmagando os olhos até não sentir outra dor
Senão a de procurar sua miragem
No lado que mais te pertence (...)




*Pintura By Henry Asencio


Uni-verso




Sou inventada
Visão, invertida pela luz de seu olhar
Anuncio a origem
Dentro de mim a verdadeira vertigem
Do atrito entre corpos celestes
faíscas de arrancar as vestes

Sou inversão
Calor que atravessa a invenção de meu avesso
Do interior vem o começo
Momento em que te reconheço
Diferente de qualquer teoria

Somos alquimia
da explosão, energia
Na união, universo
Dê-me um verso
Que justifique nosso prazer enviesado
Onde faça sentido nossos corpos infinitamente lado a lado


By the Shore...




O sal queima a sede de sol
Resta no copo o corpo
e no tempero o gosto da borda em tua boca
Bebida que ofereces a outras juras que me fazias

Na ausência de tua companhia
Meu lábio rosa em si sacia
E meu silêncio de sim silencia


*Pintura By Inessa Garmash


Verão...

O sol
esticou-se
na orla
fez costeiro
o roçar
do continente
lançando
luzes
e sombras
irresistíveis
ao vento
cortado
pelo nó
da vela
enlaçada
à nuca
do horizonte
sob a brisa
de meus
olhos gastos



...Verei



"Sometimes a man gets carried away,
when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that really, he has no-one..."

Jeff Buckley





...Ele tem uma voz comovente, um canto que é um corte de tão fundo
Não paro de ouvir... 'It's never over, she's the tear that hangs inside my soul forever..."

Ao som de "All Flowers In Time" Jeff & Liz Fraser...

Forget Her (só clicar, baixar, ver e ouvir) Video
Jeff Buckley Site Oficial - procurando um pouco o site tem muuuito material..


des-tiny


O nó do não bateu assim que o dia amanheceu Dois sóis de nós esperavam o vértice da retina exatamente direcionado a seus recém-olhares refém daqueles outros milhares que despiram o ontem diante da miragem deixando-a maior e insaciável que nenhuma força de fora conseguiria em mil anos superar o lado de dentro desse momento nem mesmo com alento do vento esculturando a erosão dos corpos em construção Só o sopro suave quase impenetrável da fresta aberta pro que resta do corte na cortina funda do quarto exposto à paisagem faria a imagem penetrar em seus mundinhos distintos com o raio de não perceber o distante tão distante só um pouco como antes e quando tudo esclarecer o rijo perfil assim perceber que destinos encontrar-se-iam ao encontro de si mesmos enlaçados pela força de seus braços invisíveis num dia morno que acalentaria a falta antiga nunca sentida e só nesse instante percebida pelo calor dos troncos sensíveis fincados no solo sobre seus caminhos
de Marco ininteligível ( ...)


Pedra, Flor e espinho...




Tenho corpo
que deixa poemas roçarem
Até sangrar o vermelho
de qualquer página em branco




Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59


Perna p'ra que te quero cruzada!?




Sei que és palavra em silêncio
Sei que danças
És trança desenhando o continente
das mãos que contornam a flor de sua pele.

Arraste-se nua que és rua,
percurso a cutilar o jardim de seus pêlos.
És dueto e alicerce de minh'alma...

Sem correr, que a hora sempre passa...
Já é meia noite, meia calça, meio fio dessa finda estrada de espera desfiada...

há coxos degraus
quebrando o encanto do cristal em sua vida compassada,
Vá devagar que és casta, uma jornada nunca gasta.

Venha e vista-se a assaltar olhares,
que os próximos pares serão passos
que saltarão do alto de seu scarpin.


Shy...



Descomposta arrumo o cabelo
No dedo ainda resta um novelo de esperança
Lanço mão de um lenço umedecido,
desmaia o tecido que é nosso enlace
A noite cai de minhas mãos
Enquanto dedos cambados Indicam sua direção
Reivindicando o cambiar de sua atenção

Quando percebo sua imagem fechar
seu foco em mim ficar
Vem um rubor que insiste em fincar
O estalo de ver tudo girar

Vejo tudo se encaixar
na escuridão de meu denso olhar
E sem ninguém notar
há um brilho em meu novo piscar


Verborragia


Como se o vazio quisesse deixar de sê-lo, Sela-se o silêncio

Grita o desejo fundo
A dor de um corpo mudo
Com força que finca a carne
Fundindo gosto e desgosto
No osso do rosto
que é fosso na fossa da face
afundada entre olhos fundos...

Friamente funda-se a visão do fim inaugurarando o novo paladar de amar o amor absorvido na dor amarga ao respirarar fundo seu odor mais que profundo desse tempo mais que imperfeito

Tudo porque amor é ao seu jeito
Assim: liquefeito



*para a amiga cujas fotos são meus furtos,


Congresso Internacional do Medo



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo,
que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio,
porque este não existe,
existe apenas o medo,
nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões,
dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados,
o medo das mães,
o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores,
o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte
e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos
nascerão flores amarelas e medrosas.



* Carlos Drummond de Andrade
*Pintura By Van Gogh
(fui assaltada e ainda dizem que isso é normal nessa época do ano... ??? ...)


Trecho.....

"Mas ele não deseja mais do que isso.
Ser livre é com freqüência estar sozinho.
Ele cuidava de unir metades desiguais rompidas
por nossa boa intenção de sermos justos"



W. H. Auden



....desfecho


* ° * ° * * * º * * * ° *

Te Dou Um Céu
Cheio De Estrelas
Feitas Com Caneta Bic
Num Papel De Pão

* ** *** **** *** ** *



*Zeca baleiro.




Only a rainy afternoon
Can get the best blues
Only a pain after moon
Can paint the rest of my blue

A man who makes me boom
Can let in me the rithym clues

And finaly find
my little condition
My middle emotion
Which switch
my body blind

Into my soul
dancing my sound

Stuck in a lost and found




*Mudei a lingua do mesmo discurso...
*Ouvindo "Careless Love" Madeleine Peyroux
Com uma vontade doída de vê-la
Cantar hoje seu talento bem aqui.



Contrição




No chão largo o corpo, lago raso
Estreito em minhas curvas, largas

Caio na cama, grama de seus olhos
Verdes como nossa dor, a queda
Vaso de memória, quebra
Arranca de si um si-lêncio macio, um leito vazio

Uma lente em contato com a verdade, que verdade!

O pulsar de nova realidade
Novo corte, o curto em meu chanel
Suas mãos, meu pincel
A dor e o amor de sentir a cor cair
E o rubor rasgado não mais colorir...


*pedaços do meu multiply


REFLEXOS E REFLEXÕES






Exposição:
Abertura dia 19 de outubro de 2005
Com pocket show
Local: Espaço Constituição
Rua da Constituição, 34 - Centro
Tel.: 2242-3102 - 2222-0249





"Ao captar a fixação de sua imagem nas superfícies, Moska registra o registro e, dessa maneira, rompe com a prisão do reflexo espectral. Apropria-se da figura transtornada. Rouba seu corpo roubado e nos mostra o epicentro do grito que brota congelado na geometria paralisante de seus abióticos. Seus trabalhos transbordam na afirmação de que não basta o gesto no mundo complexo. O fluxo incontido do caos reinante forja a linha da estrutura que desenha a ação: um quarto, banheiro, a maçaneta, a torneira. Objetos que, ao se humanizarem quando visitados pelo artista, intrigam, confundem, permitem a construção de paralelos. Iniciando sua trajetória de maneira expressiva, Moska engendra uma poética que disponibiliza o próprio Eu. E ao expor as entranhas ao chegar, cria uma expectativa positiva. Afinal, no universo da arte contemporânea a ousadia é a arma mais poderosa"

Nelson Martins